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Lactato: a fonte de energia que pode mudar a performance desportiva

3 de set.
3 min de leitura

E se o lactato, há muito associado à fadiga e às "pernas pesadas", pudesse ser utilizado como fonte de energia? Esta é uma das questões que tem despertado o interesse da fisiologia do exercício e aberto uma nova linha de investigação na nutrição desportiva.


Para ciclistas, corredores e outros atletas de resistência, o lactato é uma presença conhecida. À medida que se intensifica o esforço, a sua concentração no sangue também tende a aumentar, sendo frequentemente associado ao momento em que o esforço começa a tornar-se difícil de sustentar. Ao longo de décadas, esta associação contribuiu para a noção de que o lactato era, fundamentalmente, um efeito indesejado da prática desportiva. Aos dias de hoje, temos o conhecimento de que não é assim tão simples.


O lactato é uma molécula dinâmica produzida e utilizada pelo próprio organismo, podendo ser transportada entre tecidos, onde é novamente convertida em piruvato para ser posteriormente utilizada na produção de energia. Este conceito, designado lactate shuttle, alterou a forma como a comunidade científica interpreta o papel do lactato durante a prática de exercício físico.


Segundo Aitor Viribay, num artigo publicado pela Glut4Science, o lactato não é apenas um produto associado ao esforço: é também um importante substrato energético, capaz de ser utilizado por diferentes tecidos para produzir energia.


A compreensão deste processo é particularmente relevante no contexto do desempenho, uma vez que, na realidade, o conhecimento sobre a forma como o organismo produz, acumula e utiliza o lactato permite-nos compreender como cada atleta responde à intensidade do exercício. É precisamente essa resposta que procuramos compreender na iBIKE Studio através da avaliação fisiológica, analisando parâmetros como o limiar de lactato e as diferentes zonas de intensidade. Afinal, o lactato pode revelar muito mais do que o nível de esforço: ajuda-nos a perceber como o corpo está a produzir e a utilizar energia.


No entanto, dado que o lactato já desempenha um papel tão importante no metabolismo energético, será possível ir mais longe e fornecê-lo ao organismo a partir do exterior? É precisamente esta possibilidade que está agora a despertar o interesse da ciência.


 

Lactato exógeno: uma nova fonte de combustível?

Esta é a hipótese por detrás do lactato exógeno: em vez de se olhar para o lactato apenas como uma consequência do exercício, a investigação está a explorar se esta molécula pode ser fornecida ao organismo através da ingestão e utilizada como fonte adicional de energia.


A possibilidade ganha particular interesse nas modalidades de resistência, onde manter a disponibilidade de energia ao longo de esforços prolongados é fundamental, uma vez que, embora os hidratos de carbono continuem a ser o principal combustível nestas situações, a sua absorção e utilização pelo organismo não são ilimitadas, enquanto o lactato, por recorrer a vias de transporte diferentes, poderá permitir uma abordagem complementar que combine diferentes fontes de combustível para satisfazer as necessidades energéticas do exercício.


É neste contexto que surge o conceito de dual-fuel: a utilização simultânea de hidratos de carbono e lactato, através de diferentes vias metabólicas, numa tentativa de disponibilizar energia de forma mais eficiente durante o esforço.


No entanto, apesar do seu potencial, é importante distinguir o que a fisiologia sugere daquilo que está efetivamente comprovado em termos de desempenho. De facto, a investigação ainda se encontra numa fase inicial e, segundo um estudo publicado em 2024 na PubMed, não se identificou (ainda) melhorias significativas no limiar de lactato ou no desempenho após a sua suplementação durante o exercício.

É precisamente esta diferença entre o que pode funcionar em teoria e o que se verifica na prática que torna fundamental compreender como cada atleta responde individualmente ao esforço. Esta é uma das razões pelas quais, na iBIKE Studio, utilizamos a avaliação fisiológica para analisar parâmetros como o limiar de lactato e as diferentes zonas de intensidade, transformando esses dados em informação útil para orientar o treino e melhorar o desempenho de cada um.

 


O que pode mudar no futuro?

Talvez o mais interessante nesta história não seja saber se o lactato será o próximo grande suplemento para atletas, mas sim compreender como a ciência do exercício continua a desafiar ideias que, durante anos, foram consideradas certas: o que antes era visto apenas como um sinal de fadiga é hoje reconhecido como um elemento importante do metabolismo energético, e a investigação procura agora perceber se esse conhecimento poderá originar novas ferramentas para a nutrição e o desempenho desportivo.


Por agora, não há motivos para substituir os géis por lactato na próxima volta, mas há razões de sobra para acompanhar esta investigação, uma vez que, quanto melhor entendermos o que se passa no corpo durante o esforço, mais facilmente compreenderemos como treinar, competir e recuperar.


Essa é também a abordagem da iBIKE Studio: cruzar ciência, fisiologia e dados individuais para compreender o atleta em toda a sua dimensão, pois a otimização do desempenho não começa apenas na bicicleta, mas sim com a compreensão do que acontece ao corpo quando se pedala.

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