Do ringue à estrada: princípios para evoluir no desporto
Apesar das diferenças entre as artes marciais e o ciclismo, há princípios de treino comuns a ambas as modalidades. Com base na minha experiência enquanto atleta amadora de muay thai, neste artigo de opinião irei explorar a importância da técnica, da gestão do esforço e do planeamento para se evoluir de maneira mais consciente e consistente.
À primeira vista, as artes marciais e o ciclismo parecem pertencer a mundos diferentes. Num ringue, a capacidade de reação, a coordenação e a precisão dos movimentos são determinantes. Em cima de duas rodas, por outro lado, são a resistência, a gestão do ritmo e a capacidade de manter o esforço ao longo de muitos quilómetros que assumem um papel central.
No entanto, enquanto praticante amadora de muay thai, encontro vários pontos de contacto entre estas modalidades. A experiência de treino tem-me levado a reforçar uma ideia que considero transversal ao desporto: evoluir não significa apenas fazer mais, mas sim compreender como podemos fazer melhor.
A técnica e a consistência fazem a diferença
Nas artes marciais, a força, por si só, não garante a eficácia de um movimento. A postura, o equilíbrio, a coordenação e o momento de execução são igualmente importantes. Embora a repetição permita consolidar competências, é a atenção à técnica que ajuda a corrigir erros e a melhorar a execução.
No ciclismo, observamos uma situação semelhante: a potência produzida é um indicador importante, mas não é o único fator a considerar. A posição do atleta na bicicleta, a sua mobilidade e a forma como responde às exigências físicas também influenciam a experiência de pedalar.
É neste contexto que o Bike Fit assume relevância: uma posição individualizada deve ter em conta as características físicas e os objetivos do ciclista, em vez de procurar uma solução igual para todos.
A consistência é outro princípio comum, seja para aperfeiçoar um movimento numa modalidade de combate ou para desenvolver a resistência necessária para enfrentar uma subida. O progresso exige tempo, repetição e adaptação.

É fácil associar melhores resultados a um aumento das horas de treino, da intensidade ou dos quilómetros percorridos. No entanto, aumentar a carga de exercício sem um objetivo específico pode dificultar a recuperação e pôr em causa a continuidade do processo. Treinar com método significa compreender o propósito de cada sessão e a forma como esta contribui para os objetivos a longo prazo.
Recuperar também faz parte do treino
A recuperação é outro aspeto transversal às modalidades desportivas. O desempenho não depende apenas do esforço realizado, mas também da capacidade de resposta do organismo ao estímulo. O descanso, o sono e a gestão da carga constituem elementos fundamentais do processo de evolução.
Tal como no ciclismo, nas artes marciais insistir na intensidade quando a fadiga se acumula nem sempre é a melhor estratégia. Saber quando se deve exigir mais e quando se deve reduzir o ritmo também faz parte da aprendizagem desportiva.
Esta gestão torna-se particularmente relevante para quem concilia o treino com o trabalho e outras responsabilidades. O tempo disponível é limitado e, por isso, importa garantir que o esforço realizado tem um propósito.
No ciclismo, o acompanhamento de treino pode ajudar a transformar essa intenção num processo estruturado, através de um planeamento ajustado aos objetivos, à condição física e à evolução individual. Em vez de depender apenas da motivação ou das sensações diárias, o atleta passa a dispor de uma referência que o ajuda a gerir a carga de treino e a acompanhar o seu progresso. Na iBIKE Studio, esta abordagem tem como objetivo ajudar cada ciclista a compreender melhor o seu desempenho e a trabalhar de forma orientada para os seus objetivos.
A minha experiência no muay thai tem-me ensinado a importância da disciplina, da técnica e da capacidade de adaptação. Princípios que também vejo no ciclismo e que se encontram, de diferentes formas, noutros desportos.
Porque, independentemente de treinarmos num ringue ou de pedalarmos estrada fora, a evolução raramente acontece da noite para o dia. É construída treino após treino, com consistência, conhecimento e a capacidade de reconhecer que nem sempre fazer mais é a melhor forma de se ir mais longe.
Carla Costa
Head of Communication
iBIKE Studio




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