Irmão e cobaia: a minha perspetiva sobre a iBIKE Studio
- Tiago Pinto

- 8 de jun.
- 4 min de leitura
O meu nome é Tiago.

Antes de qualquer outro papel, sou irmão do Fernando Isaac, fundador e CEO da iBIKE Studio.
Mas, ao longo dos últimos anos, fui também observador interno, presença constante nos bastidores, ponto de apoio, fonte de motivação e, muitas vezes, cobaia para inúmeras experiências.
Ajustes posicionais. Testes biomecânicos. Intervenções aerodinâmicas. Comparações de componentes. Vídeos para redes sociais. Ideias que resultaram. Ideias que não resultaram.
Vi este projeto nascer de muito perto. E vi também aquilo que nem sempre é visível a partir de fora.
Vi a solidão dos primeiros anos. Vi a obsessão pelo detalhe. Vi a dificuldade em transformar conhecimento técnico em comunicação simples. Vi um profissional extremamente competente, mas ainda a tentar perceber como transformar essa competência numa empresa sólida, sustentável e reconhecida.
2021 - 2023
Entre 2021 e 2023, a iBIKE Studio era, essencialmente, o Fernando.
Sozinho no estúdio. Sozinho nas decisões. Sozinho na aprendizagem. Sozinho a tentar explicar ao mercado temas que, muitas vezes, eram demasiado técnicos para a forma como estavam a ser comunicados.

A comunicação dessa fase refletia muito a personalidade dele.
Profunda. Complexa. Exigente. Às vezes demasiado densa.
O alcance era menor. A rentabilidade era limitada. A visão empresarial ainda estava longe de estar totalmente desenvolvida.
Mas, mesmo nessa fase, havia algo muito claro: uma vontade enorme de fazer bem.
De estudar mais. De testar mais. De questionar mais. De elevar o nível do Bike Fit em Portugal.
Talvez ainda não existisse uma marca forte. Mas a base técnica já estava lá.
Depois chegou uma nova fase.
2024 - 2025
Entre 2024 e 2025, a iBIKE Studio cresceu em exposição.
A equipa aumentou. A comunicação ganhou ritmo. As redes sociais cresceram muito. Os vídeos começaram a sair com uma frequência que antes parecia impossível.

E, durante algum tempo, isso foi positivo.
Trouxe alcance. Trouxe reconhecimento. Trouxe movimento.Trouxe a sensação de que o projeto estava finalmente a chegar a mais pessoas.
Mas o crescimento rápido também traz riscos. Quando a velocidade aumenta demasiado sem estrutura suficiente, começa a ser difícil distinguir crescimento de ruído.
Do meu ponto de vista, em determinado momento, a perceção pública da iBIKE Studio começou a aproximar-se mais da criação de conteúdo do que da profundidade técnica que sempre esteve na origem do projeto.
Havia vídeos. Havia publicações. Havia exposição. Havia uma presença constante.
Mas faltava, muitas vezes, critério. Faltava planeamento. Faltava monitorização. Faltava estrutura. Faltava perceber se cada conteúdo estava realmente a construir uma empresa mais forte ou apenas a alimentar o ritmo das redes sociais.
E talvez essa tenha sido uma das maiores aprendizagens desta fase.
Nem toda a visibilidade constrói marca. Nem todo o crescimento constrói empresa. Nem toda a comunicação aproxima um projeto da sua essência.
Às vezes, o excesso de ruído começa a esconder aquilo que realmente distingue uma marca.
E digo isto com a liberdade de quem é irmão, mas também com a responsabilidade de quem quer ver este projeto crescer da forma certa.
2026 - ...
Em 2026, sinto que a iBIKE Studio está a entrar numa fase diferente.

E não falo apenas de uma mudança estética.
Falo do espaço. Da comunicação. Do posicionamento. Da organização interna. Da automação de processos. Da eficiência. Da forma como o LinkedIn passou a ser encarado. Da necessidade de comunicar com mais profissionalismo, mais critério e mais profundidade.
Falo, acima de tudo, de uma tentativa clara de alinhar a empresa com a visão que sempre esteve na origem do projeto.
Menos quantidade. Mais qualidade.
Menos ruído. Mais substância.
Menos urgência em aparecer. Mais compromisso em construir.
Para mim, esta é a fase em que a iBIKE Studio começa a montar as bases que talvez ainda não existissem quando tentou crescer depressa demais.
Bases para crescer de forma sustentável. Bases para prestar serviços cada vez mais premium. Bases para comunicar melhor. Bases para ser reconhecida não apenas pela presença nas redes sociais, mas pela qualidade real do trabalho que entrega.
Porque, no fundo, aquilo que sempre distinguiu o Fernando nunca foi a vontade de aparecer.
Foi a exigência. Foi a curiosidade. Foi a capacidade de testar, questionar e procurar respostas. Foi a obsessão por perceber cada detalhe da relação entre ciclista e bicicleta.
E é isso que, na minha opinião, a iBIKE Studio precisa de voltar a mostrar com clareza.
Não uma marca que comunica mais do que trabalha.
Mas uma empresa que comunica melhor porque trabalha com profundidade.
O objetivo não é apenas parecer mais premium.
É ser mais consistente. Mais eficiente. Mais estruturada. Mais alinhada com os standards elevadíssimos a que se propõe.
E, acima de tudo, criar as condições para que a iBIKE Studio possa ser reconhecida como uma referência nacional e internacional na área da biomecânica, aerodinâmica e performance no ciclismo.
Vi este projeto nascer.
Vi-o tentar crescer depressa demais, muitas vezes sem que as bases, os processos e a estrutura estivessem ainda preparados para tornar esse crescimento sustentável.
E vejo-o agora voltar a alinhar-se com a sua visão inicial.
Talvez com mais maturidade. Talvez com mais estrutura. Talvez com menos ruído.
Mas, seguramente, com mais direção.
E, por estar tão próximo, acredito que esta pode ser a fase mais importante da iBIKE Studio até hoje.
Tiago Pinto




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